Antropoceno ou capitaloceno da simples disputa semântica à interpretação histórica da crise ecológica global
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A natureza complexa da crise ecológica atual postula diferentes versões e causalidades para explicar as mudanças ambientais contemporâneas. Os efeitos do crescimento populacional e da atividade econômica nos diferentes ecossistemas tem provocado uma crescente disputa de interpretação sobre as circunstâncias que permeiam a relação sociedade e natureza e como tal relação conforma o desenvolvimento da crise atual. Recentemente, o debate ambiental contemporâneo foi reaquecido pela difusão da noção de Antropoceno, uma nova época geológica demarcada pela industrialização e pela capacidade humana de intervenção na evolução da Terra. Esta noção, porém, tem sido objeto de críticas e por tentativas de reformulação, entre elas a noção de Capitaloceno. No presente artigo, busca-se analisar as noções de Antropoceno e Capitaloceno e suas raízes empíricas, científicas e políticas. Apesar de ambas formularem uma versão para a fenomenologia da crise ecológica, suas interpretações diferem quanto às origens e as concepções ontológicas e históricas da crise. Enquanto a primeira postula uma centralidade no humano (Anthropos) como causalidade primeira da crise, a segunda desloca o eixo da crise para compreendê-la como um câmbio no processo histórico em curso do capitalismo, que incorporou as condições da natureza num projeto específico de reorganizar o mundo material.
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(c) Revibec: revista iberoamericana de economía ecológica, 2019