Revistes Catalanes amb Accés Obert (RACO)

O papel de mediação do/a antropólog/a (entre informantes e serviços públicos): um estudo de caso na Quinta da Vitória, Loures

Rita d'Ávila Cachado

Resum


Este artigo procura fornecer uma reflexão sobre os efeitos das inevitáveis interacções entre os antropólogos e os informantes em trabalho de campo. A reflexão começa com uma breve revisão sobre os posicionamentos críticos e alternativos à antropologia aplicada exercida nos contextos coloniais, para depois se debruçar sobre algumas das experiências vividas em trabalho de terreno, que poderão contribuir para a desconstrução das ainda indesejadas interferências dos antropólogos no terreno. O estudo de caso apontado no título refere-se a um contexto habitacional com grandes mudanças para a população que o habita. Para resumir a contextualização sociopolítica em causa, no início dos anos 1990 o governo português anuncia o Programa Especial de Realojamento (PER) para todos os conjuntos habitacionais degradados, chamados bairros de barracas. Um destes bairros é a Quinta da Vitória, local onde desenvolvi o meu trabalho etnográfico, habitado por populações etnicamente diferenciadas, donde se destaca em termos numéricos a população hindu. À semelhança de muitos outros bairros da Grande Lisboa e Porto, a Quinta da Vitória e seus habitantes foram inscritos no programa de realojamento em habitação social. As famílias passaram a lidar com um conjunto de instituições e serviços públicos envolvendo muita burocracia de difícil compreensão. É neste contexto de segregação e de difícil acesso a informação, e ainda porque existia uma grande falta de trabalhadores sociais no bairro, que no meu trabalho como antropóloga comecei a ser solicitada para auxiliar a população em situações de complexa resolução. O artigo salienta uma situação em que uma prática religiosa realizada naquele bairro desde que os hindus o habitam é posta em causa e como a colaboração do antropólogo pode ser importante nestes casos. Finalmente, o artigo conclui com uma avaliação positiva destas situações de mediação, como uma forma de retribuição aos informantes.

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