Revistes Catalanes amb Accés Obert (RACO)

O despertar do Humanismo Aragonês em Curial e Guelfa

Francis Rasseli

Resum


Ao vislumbrarmos o lento apagar das luzes medievais no século XV, percebemos a gradativa laicização dos códigos de valores que nortearam aquela civilização (ética, moral, cortesia, educação cristã, etc.). Nesse sentido, a Literatura oferece ao historiador que se debruça sobre aquele tempo de transição um notável promontório no qual se pode observar a interpenetração dos diferentes tempos históricos, como já nos ensinou Fernand Braudel (1902-1985). É nesse sentido que o estudo da novela (realista) de cavalaria Curial e Guelfa permite esse descortinar da vida nas camadas altas daquele século. Vida nas cortes, vida civilizada, vida polida. Assim, é de nosso interesse analisar como o autor da novela construiu uma determinada imagem idealizada de seu próprio passado, ou seja, como forjou em um texto (belamente escrito) um ideal cavaleiresco – à guisa humanística – ao tomar como modelo paradigmático Pedro III, o Grande (1239-1285), rei de Aragão e de Valência e conde de Barcelona. Para isso, valer-nos-emos da (primeira) tradução para o português realizada por Ricardo da Costa (a convite da Universitat d’Alacant, no seio do projeto internacional IVITRA) trabalho publicado pela Universidade de Santa Bárbara (Califórnia). Nosso aporte teórico será baseado na concepção de que o poder real da Baixa Idade Média foi construído propagandisticamente pelos arautos culturais que cercavam as cortes, tese defendida por José Manuel Nieto Soria, além do conceito de Representação Histórica de Roger Chartier (1945- ).

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