Revistes Catalanes amb Accés Obert (RACO)

A Arquitetura Sagrada e a Natureza nas Cantigas de Santa María (séc. XIII)

Ricardo da Costa, Bárbara Dantas

Resum


A Idade Média foi o tempo da inserção do homem no meio natural. Mais que isso: foi, sobretudo, o tempo da conquista do espaço, dos grandes arroteamentos, das construções arquitetônicas (por vezes em meio à Natureza), das expansões à custa do meio ambiente. Os movimentos monásticos foram os impulsionadores desse avanço. Nesse sentido, os monges foram, por excelência, os desbravadores, os, dominadores, os domesticadores da Natureza, tanto sujeitos quanto objetos a induzir este processo de compreensão, de civilização. A própria Teologia assim o permitia (“Toda a natureza [...] se amansa e foi domada pela natureza humana”, Tg 3,7). A Civilização Ocidental foi filha desse processo, dessa relação, dessa simbiose, muitas vezes intempestiva, entre a Cultura e a Natureza, a Civilização e a Barbárie, o cru e o cozido. A proposta desse trabalho é analisar a iconografia das iluminuras de duas cantigas e de um louvor presentes nas Cantigas de Santa Maria, obra atribuída a Afonso X, o Sábio. Nossa metodologia consistiu em delimitar tematicamente a presença da natureza naquelas três iluminuras, quando então fixamos os seguintes topos artísticos: 1) a Natureza sagrada (Louvor 10), 2) a Natureza suplicante (Cantiga 93) e 3) a Natureza salvadora (Cantiga 7). Na ordem, da Natureza que cerca e adorna a Virgem, em uma paradoxal dualidade entre o tempo eterno da Natureza e o tempo fugaz e inconstante da Arte. Entrementes, a Natureza que suplica isola o leproso em retiro, e, por fim, a Natureza salvadora é aquela que envolve, com seu manto paradisíaco, os que pedem a intercessão da Virgem.

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