Revistes Catalanes amb Accés Obert (RACO)

A contemplação anagógica na Abadia de Saint-Denis (séc. XII)

Ricardo da Costa, Tainah Moreira Neves

Resum


“A nobre obra brilha, mas como é nobremente brilhante, deve iluminar as mentes para conduzi-las através das verdadeiras luzes, para a verdadeira luz, onde Cristo é a verdadeira porta”. Essa frase, inscrita por ordem do abade Suger (c. 1081-1151) em uma das portas de bronze da abadia de Saint-Denis, enfatiza o caráter anagógico proporcionado pelo abade à Arte, na reconstrução da basílica. Nesse processo artístico, filosófico e religioso, já descrito pelo Pseudo-Dionísio, o Areopagita, no século V, os medievais ascenderiam da luz física para a luz espiritual, do material ao imaterial, guiados pela Arte e, assim, alcançariam a elevação. É um movimento contínuo, cíclico, produzido pela árdua procura dos entes em direção ao Ser. Para realizarmos tal investigação estética, propusemo-nos analisar três extratos do escrito Liber de Rebus in Administratione Sua Gestis, de Suger, no qual o abade descreve os motivos da reedificação por ele idealizada e dirigida em Saint-Denis – especificamente a primeira adição à basílica e às portas do santuário (I, XXV – De ecclesiæ primo augmento, XXVII – De portis fusilibus et deauratis). Com base neles, pretendemos defender a hipótese que, ao reformar a abadia com uma nova Estética (que viria mais tarde a ser conhecida como Gótica), Suger utilizou a Arte para transmitir sua interpretação da Teologia cristã, e assim materializar, artisticamente, os meios tangíveis pelos quais se poderia ascender do material ao imaterial. Ao criar essa atmosfera anagógica em que, pela contemplação das formas materiais ocorreria a contemplação do invisível, do imutável, Suger conseguiu expressar artisticamente, na abadia, a hierarquia celeste do Pseudo-Dionísio Areopagita.

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