Revistes Catalanes amb Accés Obert (RACO)

Minimalismo e sociabilidade em crise: máscaras da alteridade nas obras de Marcelino Freire e André Sant’Anna

Ângela Maria Dias

Resum


A literatura brasileira, ao se dedicar à recriação das fraturas sociais contemporâneas, tem, com alguma frequência, escolhido um viés minimalista para contrapor-se à linhagem representacional bastante expressiva em nossa tradição. Contemporaneamente, dois escritores habitam a cena minimalista e de distintas maneiras se propõem a exorcizar os ruídos e disjunções de uma sociabilidade problemática, a partir de um decisivo encolhimento da subjetividade autoral, em favor da encenação de um teatro de vozes da alteridade: André Sant’Anna e Marcelino Freire. Este último, nos contos-cantos, adota o ritmo, as assonâncias e um vocabulário reduzido para concretizar a situação dos seus personagens de margem e, desta maneira, é capaz de, frequentemente, fazê-los cantar. Por sua vez, André Sant’Anna, aposta na desafinação e busca desarranjar a língua pela adoção de uma sintaxe de feição coordenativa, inchada de repetições e enumerações recorrentes, causando um efeito tedioso, subjacente à comicidade grotesca de certas dicções. Nesse sentido, podemos dizer que os contos em pauta, apesar das diferenças de fatura, mantêm-se no limite da performance em seu empenho para influenciar a recepção, no que incluem em cada fala, elementos da realidade, e no que buscam fazer da literatura uma possibilidade aberta de compromisso ético com a vida.

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